O pão vil das ruas de Marabá
As imagens de crianças dormindo em praças, calçadas e rodoviárias de Marabá são fortes e ardem como um soco na cara de quem não quer ver.
É verdade. Porque tem gente que só se incomoda com a situação quando seus interesses são feridos por esses pequenos desvalidos, sem futuro, filhos de ninguém e donos de coisa nenhuma.
Ao entrar no Banco do Brasil da Nova Marabá ou ao passar pela Praça São Francisco, nós praticamente tropeçamos nessas crianças, mas se elas não nos incomodarem, não estamos nem aí. Esta é a verdade.
O poder público, na prática, pra valer mesmo, nunca fez nada por esses “menores”.
Mas eles estão aí, puxando bolsas de madames e de donas de casa, vigiando carros, furtado comida e pequenos objetos.
Esses meninos e meninas de rua existem, por mais que o poder público e muitos de nós não queiramos admitir sua incomodante existência.
O pior de tudo é que hoje eles ainda têm jeito e os danos financeiros que causam à sociedade são pequenos diante do que poderão fazer num futuro bem próximo, quando se tornarem adultos (pelo menos os que sobreviverem).
terça-feira, 8 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Resposta a um amigo (PEC dos Vereadores)
Eu entendo que a PEC dos Vereadores é benéfica principalmente por dois aspectos.
O primeiro deles é que, embora aumente o número de parlamentares municipais, não aumenta os custos das câmaras.
O segundo ponto é que o projeto reavalia a situação de cada município, dando-lhe onúmero de vereadores que, teoricamente, seria mais apropriado, como é o caso de Marabá.
Torço para que isso aconteça, mas torço muito mais para que a mentalidade de nossos políticos mude, assim como a nossa (os eleitores) e possamos colocar gente que, de fato, trabalhe nas câmaras municipais, afinal de contas os vereadores têm feito muito pouco ou quase nada ao longo da história de Marabá.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Maria da Penha
A maioria dos brasileiros ainda está longe de atingir um patamar de compreensão razoável porque simplesmente não tem coragem de se arredar de velhos conceitos, e isso inclui religião, machismo e outras "cositas más".
Um dia desses um colega - por quem tenho profundo respeito - fez uma crítica à Lei Maria da Penha (aquela que tenta proteger mulheres de "companheiros" violentos). Foi uma demonstração de falta de conhecimento a toda prova.
Ele disse que se tratava de uma lei muito errada porque se uma vítima registrar queixa contra o agressor, nada mais pode ser feito. Ele terá de responder o processo até o fim.
Se a vítima procurar a polícia para retirar a queixa, isso não poderá ser feito.
Desse modo, a lei - no entendimento dele - está indo até mesmo contra a vontade da vítima.
Ora, mas a ideia é justamente essa.
Durante muitas décadas as mulheres têm se submetido a conviver com parceiros violentos porque simplesmente não têm a quem recorrer.
Registram queixa e depois pedem para a polícia soltar o agressor e continuam convivendo com ele, porque são dependentes financeiras do marido violento.
Sofrem tanta pressão psicológica que acabam se tornando dependentes afetivas.
A lei não é tudo, mas representa um começo de mudança de postura.
A liberdade da mulher, o direito de ser um ser independente, de romper com todas as formas de violência que lhe prendem em nome de um casamento de aparências...
Nada disso tem preço e nem precisaria de lei para existir.
Mas infelizmente nosso mundo é tão doente que precisamos de leis para garantir que outros seres humanos iguais a nós sejam tratados e reconhecidos como seres humanos, embora já o sejam pela própria natureza que os criou.
A maioria dos brasileiros ainda está longe de atingir um patamar de compreensão razoável porque simplesmente não tem coragem de se arredar de velhos conceitos, e isso inclui religião, machismo e outras "cositas más".
Um dia desses um colega - por quem tenho profundo respeito - fez uma crítica à Lei Maria da Penha (aquela que tenta proteger mulheres de "companheiros" violentos). Foi uma demonstração de falta de conhecimento a toda prova.
Ele disse que se tratava de uma lei muito errada porque se uma vítima registrar queixa contra o agressor, nada mais pode ser feito. Ele terá de responder o processo até o fim.
Se a vítima procurar a polícia para retirar a queixa, isso não poderá ser feito.
Desse modo, a lei - no entendimento dele - está indo até mesmo contra a vontade da vítima.
Ora, mas a ideia é justamente essa.
Durante muitas décadas as mulheres têm se submetido a conviver com parceiros violentos porque simplesmente não têm a quem recorrer.
Registram queixa e depois pedem para a polícia soltar o agressor e continuam convivendo com ele, porque são dependentes financeiras do marido violento.
Sofrem tanta pressão psicológica que acabam se tornando dependentes afetivas.
A lei não é tudo, mas representa um começo de mudança de postura.
A liberdade da mulher, o direito de ser um ser independente, de romper com todas as formas de violência que lhe prendem em nome de um casamento de aparências...
Nada disso tem preço e nem precisaria de lei para existir.
Mas infelizmente nosso mundo é tão doente que precisamos de leis para garantir que outros seres humanos iguais a nós sejam tratados e reconhecidos como seres humanos, embora já o sejam pela própria natureza que os criou.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Carajás para quem?
Vou logo dizendo que sou favorável à criação do Estado de Carajás. Mas confesso: algo me preocupa muito nessa história toda.
Nas discussões sazonais sobre o assunto o que eu vejo é uma preocupação irritante em relação aos grandes projetos.
Só se fala nos tais grandes projetos. Só se fala nos recursos que eles vão gerar, os quais não podem ser divididos com o restante do Estado.
Para mim, essa é uma questão que já ficou clara.
Mas, eu não vejo ninguém falar, de fato, em socializar a riqueza com a população mais pobre, em desenvolvimento sustentável e em apoio à agricultura familiar dentro de um novo modelo de produção que seria iniciado aqui a partir do sonhado Carajás.
O que me preocupa mais ainda é o fato de que muitos dos nossos representantes, que se mostram ávidos pela criação do novo Estado, estão envolvidos em crimes ambientais e acusados de manter trabalhadores em regime de escravidão.
Seria, para eles, o Estado de Carajás uma forma de criar um feudo, dentro do qual governariam como quisessem, pois teriam em suas mãos o judiciário e os órgãos fiscalizadores do poder executivo?
Essa é minha maior preocupação.
Vou logo dizendo que sou favorável à criação do Estado de Carajás. Mas confesso: algo me preocupa muito nessa história toda.
Nas discussões sazonais sobre o assunto o que eu vejo é uma preocupação irritante em relação aos grandes projetos.
Só se fala nos tais grandes projetos. Só se fala nos recursos que eles vão gerar, os quais não podem ser divididos com o restante do Estado.
Para mim, essa é uma questão que já ficou clara.
Mas, eu não vejo ninguém falar, de fato, em socializar a riqueza com a população mais pobre, em desenvolvimento sustentável e em apoio à agricultura familiar dentro de um novo modelo de produção que seria iniciado aqui a partir do sonhado Carajás.
O que me preocupa mais ainda é o fato de que muitos dos nossos representantes, que se mostram ávidos pela criação do novo Estado, estão envolvidos em crimes ambientais e acusados de manter trabalhadores em regime de escravidão.
Seria, para eles, o Estado de Carajás uma forma de criar um feudo, dentro do qual governariam como quisessem, pois teriam em suas mãos o judiciário e os órgãos fiscalizadores do poder executivo?
Essa é minha maior preocupação.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Exoneração a cavalo
A governadora Ana Júlia Carepa determinou, na noite de ontem (24), o imediato afastamento do diretor do Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, o médico José Aldo de Oliveira Pinho.
A medida foi tomada após notícia do Jornal Nacional, da Rede Globo, sobre o flagrante de exercício ilegal da profissão praticado por um estudante de medicina, que usava o carimbo e o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) de José Aldo.
Junto com a essa medida, bem que a governadora poderia aproveitar e aumentar o número de médicos naquele hospital e noutros que existem por aí e por aqui, afinal de contas - embora não justifique - toda aquela lambança que acabou indo parar na Rede Globo foi motivada, em parte, pela falta de profissionais médicos em número suficiente para atender à população que precisa do Sistema Único de Saúde no Pará.
A governadora Ana Júlia Carepa determinou, na noite de ontem (24), o imediato afastamento do diretor do Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, o médico José Aldo de Oliveira Pinho.
A medida foi tomada após notícia do Jornal Nacional, da Rede Globo, sobre o flagrante de exercício ilegal da profissão praticado por um estudante de medicina, que usava o carimbo e o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) de José Aldo.
Junto com a essa medida, bem que a governadora poderia aproveitar e aumentar o número de médicos naquele hospital e noutros que existem por aí e por aqui, afinal de contas - embora não justifique - toda aquela lambança que acabou indo parar na Rede Globo foi motivada, em parte, pela falta de profissionais médicos em número suficiente para atender à população que precisa do Sistema Único de Saúde no Pará.
DEUS, O GRANDE DEVASTADOR AMBIENTAL
Nesta região em que já nos cansamos de ver o sol se pôr avermelhado pelas queimadas, não há nada de novo sob o céu. Apesar das novas cores que pintam a prática governamental em Marabá, a realidade de apropriação do bem público pelo interesse privado se repete. É a prática patrimonialista que toma a máquina estatal às mãos de pequenos grupos privilegiados.
Bem, este é o nosso mundo: somos a resposta exata do que a gente perguntou, ou não, já que a maioria nada se pergunta. Resultado, Deus é o grande culpado por tudo: pelas folhas que caem, pelas crianças mortas nos hospitais, pelo dinheiro público gasto nas pinturas banais e, quem sabe, pelo comprometimento da folha de pagamento com as igrejas leais. Cabe perguntar: Deus é responsável também pelo desrespeito aos preceitos constitucionais?
E sob o olhar de todos em Marabá o Estado deixou de ser laico, contrariando os princípios republicanos. Anuncia-se que a cidade é de Jesus em um outdoor de boas vindas posto na estrada às portas de Morada Nova - nome sugestivo para os cristãos, mas aqui cada vez mais nos assemelhamos a Sodoma, ou melhor, ao estado de Babilônia. Babylom Sistem avisa a Tribo aos guerreiros maranhenses por estas terras tratados preconceituosamente como sub-humanos.
A sociedade como obra humana resulta historicamente de ações motivadas pelos sentidos que os homens constroem sobre as coisas e sua existência. Por toda Marabá o “azul e branco do céu” foi maculado por algo que não é obra das queimadas, nem mesmo das mãos de um Deus, por mais que seu nome continue sendo usado para legitimar pecados do poder público, nada em vão.
O principio já chegou ao fim e aqui os governos sucessivamente pautam suas ações sociais por fins determinados que tomam a ética como coisa descartável: o sentido principal das políticas é fomentar o acumulo de poder e concentração de riquezas. Como dizem, “pior”: São Paulo agradece, empresários enriquecem, agricultores da região empobrecem, as escolas padecem, a merenda emagrece e quem “pastora” seus interesses políticos envaidece.
A ignorância humana: por séculos ignóbeis senhores instalados em lugares de poder político ou religiosos insistem em assassinar Cristo, utilizando-o para justificar a cada época seus interesses mórbidos, mesmo quando estes contrariam radicalmente os ideais do “amor ao próximo”. Num tempo em que os livros das estantes [bíblias, teses e códigos jurídicos] servem só à quem não sabe ler, resta saber quem será Pilatos.
PS: Salve Raulzito e Max Weber.
PS2: A justiça é cega mesmo ou esta era uma daquelas verdades do tipo o Estado é laico?
Evandro Medeiros [Pedagogo e Mestre em Educação]
Nesta região em que já nos cansamos de ver o sol se pôr avermelhado pelas queimadas, não há nada de novo sob o céu. Apesar das novas cores que pintam a prática governamental em Marabá, a realidade de apropriação do bem público pelo interesse privado se repete. É a prática patrimonialista que toma a máquina estatal às mãos de pequenos grupos privilegiados.
Bem, este é o nosso mundo: somos a resposta exata do que a gente perguntou, ou não, já que a maioria nada se pergunta. Resultado, Deus é o grande culpado por tudo: pelas folhas que caem, pelas crianças mortas nos hospitais, pelo dinheiro público gasto nas pinturas banais e, quem sabe, pelo comprometimento da folha de pagamento com as igrejas leais. Cabe perguntar: Deus é responsável também pelo desrespeito aos preceitos constitucionais?
E sob o olhar de todos em Marabá o Estado deixou de ser laico, contrariando os princípios republicanos. Anuncia-se que a cidade é de Jesus em um outdoor de boas vindas posto na estrada às portas de Morada Nova - nome sugestivo para os cristãos, mas aqui cada vez mais nos assemelhamos a Sodoma, ou melhor, ao estado de Babilônia. Babylom Sistem avisa a Tribo aos guerreiros maranhenses por estas terras tratados preconceituosamente como sub-humanos.
A sociedade como obra humana resulta historicamente de ações motivadas pelos sentidos que os homens constroem sobre as coisas e sua existência. Por toda Marabá o “azul e branco do céu” foi maculado por algo que não é obra das queimadas, nem mesmo das mãos de um Deus, por mais que seu nome continue sendo usado para legitimar pecados do poder público, nada em vão.
O principio já chegou ao fim e aqui os governos sucessivamente pautam suas ações sociais por fins determinados que tomam a ética como coisa descartável: o sentido principal das políticas é fomentar o acumulo de poder e concentração de riquezas. Como dizem, “pior”: São Paulo agradece, empresários enriquecem, agricultores da região empobrecem, as escolas padecem, a merenda emagrece e quem “pastora” seus interesses políticos envaidece.
A ignorância humana: por séculos ignóbeis senhores instalados em lugares de poder político ou religiosos insistem em assassinar Cristo, utilizando-o para justificar a cada época seus interesses mórbidos, mesmo quando estes contrariam radicalmente os ideais do “amor ao próximo”. Num tempo em que os livros das estantes [bíblias, teses e códigos jurídicos] servem só à quem não sabe ler, resta saber quem será Pilatos.
PS: Salve Raulzito e Max Weber.
PS2: A justiça é cega mesmo ou esta era uma daquelas verdades do tipo o Estado é laico?
Evandro Medeiros [Pedagogo e Mestre em Educação]
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
"Lágrimas do sol" (rsrsrsrs)
Quem estava lá diz que o prefeito Maurino Magalhães foi às lágrimas ao ver realizado seu sonho de terceirizar a merenda escolar de Marabá, apelidada agora, gentilmente, de "refeição escolar".
Dizem as más línguas - das quais eu não faço parte - que o choro de Maurino foi de alívio por ter, finalmente, conseguido cumprir compromissos de campanha, beneficiando gente que lhe ajudou com recursos financeiros para vencer a eleição e que agora lhe cobrava o retorno.
Aliás, falando nisso, olhando bem as fotos da refeição escolar, o que se vê dentro do prato azul (ainda pertencente ao município) é um punhado de arroz do tipo "unidos venceremos", quatro pedaços de frango branco sem corante algum e três rodelas de cenoura.
Este banquete está saindo para a prefeitura pela bagatela de R$ 74 milhões (valor total do contrato).
"Chegou a hora de mostrar o meu veneno... tô todo me tremendo, tô todo me tremendo..."
Quem estava lá diz que o prefeito Maurino Magalhães foi às lágrimas ao ver realizado seu sonho de terceirizar a merenda escolar de Marabá, apelidada agora, gentilmente, de "refeição escolar".
Dizem as más línguas - das quais eu não faço parte - que o choro de Maurino foi de alívio por ter, finalmente, conseguido cumprir compromissos de campanha, beneficiando gente que lhe ajudou com recursos financeiros para vencer a eleição e que agora lhe cobrava o retorno.
Aliás, falando nisso, olhando bem as fotos da refeição escolar, o que se vê dentro do prato azul (ainda pertencente ao município) é um punhado de arroz do tipo "unidos venceremos", quatro pedaços de frango branco sem corante algum e três rodelas de cenoura.
Este banquete está saindo para a prefeitura pela bagatela de R$ 74 milhões (valor total do contrato).
"Chegou a hora de mostrar o meu veneno... tô todo me tremendo, tô todo me tremendo..."
Assinar:
Postagens (Atom)
